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roteiro da semana

Veja São Paulo Recomenda

18.07.2007

 

 

EXPOSIÇÃO

Divulgação

Cristo da Ressurreição (à esq.), Espírito Santo (acima) e busto relicário (à dir.): jóias barrocas, sejam ou não do Aleijadinho

Aleijadinho e Seu Tempo – Fé, Engenho e Arte. Quando se trata do mestre do barroco Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, o ponto de partida é sempre uma incógnita. A começar pela data de seu nascimento. Segundo alguns estudiosos, foi em 1730. Segundo outros, cinco ou até oito anos depois. Mas as dúvidas mais persistentes dizem respeito à legitimidade de suas obras, ou seja, se foram de fato realizadas por ele. A formidável escultura Cristo da Ressurreição, antes de origem polêmica, é um exemplo da complexa celeuma. Na exposição O Universo Mágico do Barroco, realizada na Fiesp em 1998, a peça compareceu atribuída ao escultor. Mais tarde, exibições internacionais levadas ao Petit Palais, em Paris, e ao Museu Guggenheim, em Nova York, assumiram sua autenticidade. A opção do curador Fábio Magalhães na mostra que o Centro Cultural Banco do Brasil inaugura no sábado (28) foi manter a atribuição. Para ele, o valor desse e de outros trabalhos de Aleijadinho e de seus contemporâneos Francisco Xavier de Brito e Mestre Piranga, presentes na seleção, prescindem atualmente da discussão de origem. Somadas no lote aos mais de 150 itens, entre pinturas, desenhos e mapas, formam, de qualquer maneira, um painel admirável da arte religiosa nos séculos XVIII e XIX.

>> galeria de imagens

Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112, centro, 3113-3651, Metrô Sé. Terça a domingo, 10h às 20h. Grátis. Estac. na Rua Boa Vista, 280 (R$ 10,00 por quatro horas, de ter. a sáb.). Até 14 de outubro. A partir de sábado (28).

 

CINEMA

Divulgação

A Idade da Peseta: a Cuba dos anos 50 no CineSesc

II Festival de Cinema Latino-Americano. A mostra reúne 120 produções, exibidas entre terça (24) e domingo (29) no CineSesc, na Cinemateca e em três salas do Memorial da América Latina. Abrangente, traz desde fitas das primeiras décadas do século XX até títulos atuais. Macunaíma, Os Fuzis e Noite Vazia representam alguns dos clássicos brasileiros dos anos 60. O público também terá a oportunidade de conferir raridades vindas do Equador, Paraguai, Venezuela, Chile, Colômbia e mais dez países. Com uma minirretrospectiva de três longas e dois curtas-metragens, o diretor mexicano Paul Leduc, de 65 anos, marca presença na cidade. Na seleção de novíssimos, um dos destaques é o premiado cubano A Idade da Peseta, previsto para sábado (28), às 20h, no CineSesc. Ambientado na Havana de 1958, enfoca o precoce amadurecimento de um menino. A entrada é grátis, com senhas distribuídas uma hora antes de cada sessão.

Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana, 5084-2177. Terça (24), 16h30: O Rei de San Gregorio (2005), de Alfonso Gazítua; 18h30: Não É Você, Sou Eu (2004), de Juan Taranto; 20h30: Rosario Tijeras (2005), de Emilio Maillé. Quarta (25), 16h30: A Grande Cidade (1966), de Cacá Diegues; 18h30: A Mulher do Meu Irmão (2005), de Ricardo Montreuil; 20h30: O Inverno de Gunter (2005), de Galia Giménez. Quinta (26), 16h30: A Grande Feira (1961), de Roberto Pires; 18h30: Frida Kahlo (1971), de Manuel Michel, e Reed, México Insurgente (1970), de Paul Leduc; 20h30: JC Chávez (2007), de Diego Luna. Sexta (27), 14h30: Ánimas Trujano (1962), de Ismael Rodriguez; 16h30: As Mãos (2006), de Alejandro Doria; 18h30: O Cheiro do Ralo. Sábado (28), 14h30: Estamira (2006), de Marcos Prado; 16h30: O Céu de Suely (2006), de Karin Aïnouz; 18h30: Menino de Engenho (1965), de Walter Lima Jr. Domingo (29), 14h30: Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade; 16h30: Evocação de Frida (1960), de Marcela Fernandéz Violante, e A Adolescente (1960), de Luis Buñel; 18h30: Yawar Mallku (1969), de Jorge Sanjinés. Grátis. Fecha às segundas.

 

TEATRO

Heloisa Bortz

Flávio Tolezani e Paloma Galasso: Orestes e Electra em tragédia com mais de três horas

Orestéia, o Canto do Bode. Não são poucos os obstáculos enfrentados pelo público antes de descobrir a riqueza dessa montagem. Em uma viela de Santa Cecília, o Galpão do Folias fica escondido dos olhos menos atentos e oferece cadeiras desconfortáveis para acompanhar as três horas e meia de espetáculo. Sim, a adaptação de Reinaldo Maia para a trilogia Orestéia, escrita por Ésquilo no século V a.C., tem essa duração e apenas dez minutos de intervalo. Mas quem topar o desafio provavelmente sairá de lá deslumbrado. O diretor Marco Antonio Rodrigues e o grupo Folias usam a Grécia antiga para fazer uma alegoria do Brasil. Na primeira parte, Agamêmnon mostra a partida do herói para Tróia e seu retorno, quando é assassinado, como um golpe militar. A vingança de Orestes, base para Coéforas, remete à repressão dos anos 60 e 70, e seu julgamento, tema de Eumênides, critica o exercício do poder. Não por acaso, tudo é conduzido por um palhaço e acaba em festa.

>> assista ao vídeo

14 anos. Estreou em 24/5/2007. Galpão do Folias (70 lugares). Rua Ana Cintra, 213, Santa Cecília, 3361-2223, Metrô Santa Cecília. Quinta a sábado, 20h; domingo, 19h. R$ 30,00. Bilheteria: 16h/20h (qua.); a partir das 16h (qui. a dom.). Até 28 de outubro.

 

SHOW

Os ingleses The Rakes (à esq.) e The Magic Numbers (acima): festa do rock alternativo no Via Funchal

Festival Indie Rock. Duas bandas inglesas encabeçam a primeira edição de um evento, no Via Funchal, voltado ao público alternativo. Tanto The Magic Numbers quanto The Rakes contam com quatro integrantes, nasceram em Londres e lançaram dois álbuns. As semelhanças param aí. Escalado para fechar a noite de quinta (26), que ainda terá o experimentalismo instrumental do paulistano Hurtmold e o rock moderninho do carioca Moptop, o Magic Numbers aposta num folk sessentista, estilo The Mamas & The Papas. Depois do videoclipe em animação Forever Lost, a banda soltou no ano passado o ótimo CD Those the Brokes. A agitada Take a Chance é, até o momento, o sucesso do disco. Na sexta (27), o Rakes mostra seu som quase punk, que soa como um Strokes envenenado (vide o hit underground Strasbourg). A pernambucana Nação Zumbi aquece a platéia com seu manguebit. Antes, os brasilienses do Móveis Coloniais de Acaju oferecem doses de ska e música tradicional do Leste Europeu (!).

>>videoclipes do The Magic Numbers

14 anos. Via Funchal (6.000 pessoas). Rua Funchal, 65, Vila Olímpia, 3188-4148. Quinta (26) e sexta (27), 21h30. R$ 100,00 a R$ 140,00. Bilheteria: 12h/22h (seg. a qua.); a partir das 12h (qui. e sex.). Cc.: D, M e V. Cd.: C e V. FP. Estac. c/manobr. (R$ 20,00). www.viafunchal.com.br.


 
 
 
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