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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Ivan Valente


Quais as decisões que o senhor julga urgentes para São Paulo?

A mais urgente é a discussão da dívida pública. Essa dívida é imoral e ilegal. Aumentou durante o governo Maluf/Pitta, inclusive no que ficou conhecido como escândalo dos precatórios. Hoje a dívida consome 2,3 bilhões de reais em juros anuais, ou seja, 13% do orçamento vai para pagar banqueiros, enquanto a cidade enfrenta problemas sérios na saúde, na educação, no transporte público e no setor de habitação. Acredito que além de urgente essa é uma decisão ousada, uma vez que nenhum outro candidato á prefeitura terá coragem fazer o debate e uma auditoria da dívida pública, uma vez que recebem financiamento de banqueiros. Também vamos implantar o planejamento participativo para que a população possa discutir os problemas e as soluções da cidade.

Qual questão pretende atacar de imediato, caso seja eleito?
A terceirização dos serviços públicos, em especial no setor de saúde. Temos que redirecionar a verba pública que vai para as entidades parceiras (privadas) que gerenciam, por exemplo, as AMAs, para as Unidades Básicas de Saúde, a reconstituição das equipes multiprofissionais, a realização de exames a compra de equipamentos necessários. Na educação, nossa primeira medida será retomar os 30% de recursos orçamentários para o investimento em desenvolvimento e manutenção do ensino. A gestão Marta reduziu este percentual para 25% do orçamento, e o governo Serra/Kassab, manteve. Só assim será possível ampliar o número de vagas nas escolas, reduzir o número de alunos por sala de aula e valorizar o magistério.

Como resolver o caos no trânsito?
A primeira medida é desestimular paulatinamente o uso do automóvel. Precisamos discutir se queremos manter o carro – que é individual – como matriz do transporte em nossa cidade. O espaço urbano deve ser construído pensando nas pessoas que vão ocupá-lo e não nos carros. Hoje gasta-se mais construindo espaços para abrigar automóveis do que para a habitação de pessoas. Isso envolve uma mudança de cultura, ou seja, não é algo possível em curto prazo. É necessário, por exemplo, pressionar o governo federal para que não dê subsídios de 30% (como foi dado no ano passado) para as indústrias automobilísticas.

Por outro lado, não adianta inventar soluções paliativas para o problema, que resolvem durante um período muito curto, afinal são 700 mil novos carros emplacados a cada dia. Sabemos que a maior parte dos cidadãos não vai deixar o veículo em casa se não houver um transporte coletivo de qualidade. Por isso, é preciso planejar uma solução de médio prazo que é a ampliação da malha metroviária urbana, o transporte público de massas sobre trilhos. Além de ampliar os corredores exclusivos de ônibus e investir em ciclovias.

De acordo com nossos leitores e usuários do transporte público, o sistema oferece um número reduzido de veículos e boa parte deles em péssimo estado de conservação.
A primeira medida é garantir 10% da frota estatal no sistema de transporte por ônibus. Isso permite que seja feito o controle interno dos custos e estratégias para qualificação do serviço. Isso foi feito com sucesso em diversas cidades. A frota municipal deve atingir o nível de excelência no serviço de modo a definir os parâmetros que as empresas privadas devem seguir. O município deverá fazer parcerias com empresas produtoras de ônibus, escolas de engenharia e design e pleitear mais recursos do BNDES para a modernização permanente da frota. Ampliar e melhorar a estrutura dos pontos e terminais de ônibus, com informação nos pontos das linhas, tempos e percursos é medida urgente. Além de instalar progressivamente sistema informatizado que exibe o tempo de chegada de cada ônibus. Também é preciso ampliar a acessibilidade das pessoas com deficiência.

Outra questão muito importante a ser trabalhada é a redução progressiva das tarifas do transporte coletivo. Sabemos que 1/3 das viagens diárias em São Paulo são realizadas a pé, porque a passagem é muito cara. Nem todos têm condições financeiras para usar o transporte coletivo. O gasto médio com transportes pela população chega a 25% do salário mínimo. O transporte público deve ser subsidiado e o preço da tarifa definido pelo poder de pagamento do usuário. Haverá subsídio e redução no custo das passagens municipais. Os recursos serão advindos do Fundo Municipal de Transportes.

O que o senhor pensa sobre a Lei da Cidade Limpa? Pretende mantê-la? Modificá-la?
A lei Cidade Limpa foi uma proposta interessante para a cidade de São Paulo, tão marcadamente reconhecida pela sua poluição visual. No entanto, enfrentei alguns problemas na campanha, pois alguns fiscais de prefeitura e até mesmo a Guarda Civil Metropolitana (GCV) tentaram impedir a panfletagem da propaganda eleitoral por nossos militantes. Acredito que a lei deva ser usada para o bem comum e não como forma de controle e cerceamento da manifestação política. Além disso, há uma reclamação geral de que a lei foi implantada de forma autoritária, sem ouvir os cidadãos. Na nossa administração vamos realizar o planejamento participativo e nele vamos discutir propostas de adequação das leis que venham a surgir.

Mesmo com a fiscalização, assim que os guardas passam, os camelôs retornam ao posto e tomam as calçadas da cidade. O que o senhor pretende fazer para solucionar este problema?
Em primeiro lugar é preciso deixar claro que os camelôs, que estão no comércio informal, estão ali para trabalhar e ganhar o sustento da família. Então, não podemos tratá-los como criminosos, como a atual gestão vem fazendo. Precisamos pensar soluções para a geração de emprego e renda na cidade para diminuir gradativamente o número de trabalhadores no comércio informal. Outra ação importante é fazer o cadastramento desses trabalhadores e criar um local especial e eficiente para que eles possam manter suas barracas de venda. Não adianta criar esse espaço longe do centro urbano e dos consumidores.

Hoje milhares de crianças esperam por uma vaga na rede municipal de ensino infantil e tantas outras estão na fila para uma vaga nas creches. Qual sua proposta para solucionar esta lacuna na educação municipal?
A primeira medida, como já foi dito, é retomar os 30% do orçamento investidos em educação, hoje restritos a 25%. Não há educação de qualidade nem ampliação da oferta de vagas, se não houver investimento na área por parte do município. Nós pretendemos investir na ampliação da rede de atendimento à educação infantil, o que significa criar também condições para atender às crianças, preferencialmente, em período integral. Hoje, o atendimento às crianças de 0 a 5 anos tem sido feito principalmente em creches conveniadas. O que era para ser provisório, para dar conta urgentemente da demanda, tornou-se definitivo.

Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Paulo Maluf


Qual a questão que o senhor julga urgente para São Paulo?
É o problema do trânsito da cidade. Do trânsito sempre congestionado advém muitos outros problemas que afligem o paulistano (perda de tempo na ida e vinda do trabalho; ar poluído saído dos canos dos veículos parados nos enormes congestionamentos; estresse em quem fica parado preso nos ônibus ou automóveis). O grande problema está nas avenidas marginais, espinha dorsal da malha viária e que não suporta mais o trânsito diário de mais de 700 mil veículos. Qualquer coisa que aconteça nas marginais (batidas, capotamento, morte de pessoas) tem conseqüências em toda a cidade.

Por isso tenho insistido muito na Freeway, que é o principal projeto de minha próxima administração, se eleito prefeito. A Freeway acrescentara seis pistas de trânsito de cada lado das marginais do Tietê e Pinheiros, através de tampões que cobrirão parte do leito dos dois rios, permitindo que se ande nas marginais, com as pistas prontas, a 90 quilômetros por hora. Sem pedágio e sem faróis.

E, caso seja eleito, esse é o ponto que pretendo por em prática imediatamente.

Segundo nossos leitores e usuários de transporte público, o sistema oferece um número reduzido de veículos e boa parte deles em péssimo estado de conservação.
O transporte público merecerá a mesma atenção de minha última administração como prefeito. O transporte publico é vítima, também ele, dos congestionamentos. Mais ônibus e melhores ônibus são necessários, mas eles precisam andar. Foi também em minha administração anterior que a construção de terminais e corredores de ônibus ganhou impacto.

Construí o terminal de ônibus do Parque Dom Pedro (o maior da América latina), da Praça da Bandeira, João Dias (no Jardim São Luiz, zona Sul da cidade), Vila Nova Cachoeirinha, Cidade Tiradentes e Penha, com seus respectivos corredores de ônibus. Grande parte do Metrô que existe, na Linha Norte e Sul e Leste-Oeste, foi feita por mim. Dei o grande impulso na linha Leste, quando governador, quando construí as estações da Praça da República, Dom Pedro, Bresser, Belém e Tatuapé. Acabei com a CMTC que dava prejuízo de um milhão de dólares diários à prefeitura, sem permitir que um só ônibus da cidade saísse de circulação. Se eleito prefeito vou colaborar com o governo do Estado na construção do Metrô.

Novos corredores serão implantados, mais ônibus serão colocados em circulação. Em 1996 a velocidade média de um ônibus em São Paulo era de 20 quilômetros, hoje é de apenas 11. Com o trânsito congestionado essa velocidade média voltará a subir.

O que o senhor pensa sobre a Lei da Cidade Limpa? Pretende mantê-la? Modificá-la?
O projeto será mantido.

Mesmo com a fiscalização, assim que os guardas passam, eles os camelôs retornam ao posto e tomam as calçadas da cidade.
Já disse que não vou perseguir camelôs. Polícia é para perseguir bandidos. Os camelôs honestos, registrados pela prefeitura, precisam trabalhar fiscalizados e sem concorrer com os comerciantes legalmente estabelecidos, que pagam impostos. O grande desafio é compatibilizar o trabalho de uns e de outros. Já fiz isso de 1993 a 1996, sem conflitos, e sei que é possível fazê-lo novamente.

Milhares de crianças esperam por uma vaga na rede municipal de ensino infantil e tantas outras estão na fila para uma vaga nas creches.
No meu tempo de prefeito não havia falta de vagas para a educação infantil e nem de creches. Tudo é um problema de gestão e fiscalização. Existem meios próprios da prefeitura agir no setor, seja com recursos próximos ou através de convênios.

Edmilson Costa


Quais as decisões que o senhor julga urgentes para São Paulo?
A governança comunista entende que São Paulo cresceu de maneira desordenada, expulsando os pobres para regiões cada vez mais distantes. A cidade foi privatizada e seus equipamentos sociais terceirizados. Tudo isso foi feito no interesse do capital e dos especuladores imobiliários. A principal medida a ser tomada é o resgate da cidade como espaço público e o espaço público como um direito fundamental da pessoa humana. A partir desse princípio, todas as medidas, em cada uma das áreas de atuação da prefeitura, serão no sentido de tornar pública a cidade e seus espaços.

Qual questão pretende atacar de imediato, caso seja eleito?
O principal problema é a violência que se expressa na miséria da população e na opulência das elites e está na raiz de todos os outros problemas da cidade. Por isso, achamos fundamental inverter a lógica do mercado e do lucro e implantar a governança comunista: o poder popular, a democracia direta, o povo de São Paulo tomando em suas mãos as rédeas do destino da cidade, por meio de conselhos populares, instrumentos fundamentais para a construção de uma cidade camarada, embrião da São Paulo socialista. Os conselhos terão poder decisório no estabelecimento das prioridades do orçamento popular que iremos instituir, definindo os investimentos. Também irão gerir os equipamentos públicos de saúde, educação, segurança, cultura, lazer e meio ambiente.

Temos consciência da imensa dificuldade da implantação dessa instância, uma vez que as classes dominantes sempre procuraram convencer a população de que apenas os técnicos têm capacidade de gerir uma cidade como São Paulo. Os comunistas entendem essa questão de maneira diferente: temos convicção de que o povo tem enorme clareza sobre quais são as suas prioridades, cabendo aos técnicos apenas viabilizá-las.

Quais as soluções que o senhor aponta para o trânsito?
Nós entendemos que a cidade de São Paulo vive o caos e a barbárie no setor de transporte, em função do crescimento desordenado da cidade, da privatização do transporte público e do interesse das multinacionais do automóvel. Os ônibus transportam as pessoas como se fossem gado e a passagem é cara. O transporte precário é funcional para as multinacionais automobilísticas porque incentiva o uso do automóvel e lhes rende lucro. Nós vamos implantar os conselhos populares de transporte, que definirão as prioridades orçamentárias para o setor.

Como primeira medida, iremos municipalizar o transporte público, reduzir o preço das passagens até atingir a tarifa zero, dar prioridade de passagem aos meios de transportes coletivos em todas as principais ruas e avenidas, renovar a frota de ônibus, recapacitar motoristas e cobradores e instituir a jornada de seis horas para esses profissionais. Vamos implantar os VLTs (veículos leves sobre trilhos) em formato radial e circular, integrados ao sistema de ônibus. Isso melhorará o sistema de transporte, reduzirá o uso do automóvel e da poluição. O transporte público, gratuito e de qualidade, tem que ser a prioridade.

De acordo com nossos leitores e usuários do transporte público, há um número reduzido de veículos e boa parte deles em péssimo estado de conservação.
As empresas privadas de transporte, como têm o lucro acima de qualquer outra coisa, transportam a população em ônibus velhos e precários. Nossa proposta de municipalização, com a prioridade do transporte público em relação ao individual, melhorará a qualidade do serviço. Com ônibus e trens confortáveis, pontuais, rápidos e limpos.

No entanto, é necessário a municipalização do Metrô. Não tem o menor sentido um metrô estadual, que só opera na cidade de São Paulo. É necessário um programa de transição na área metropolitana que envolva os governos municipal, estadual e federal para a construção de novas linhas circulares para desafogar os troncos tradicionais e dar à população um serviço de transporte de qualidade. Nós iremos colocar o peso político de São Paulo e a pressão mobilizadora das massas para atingir esses objetivos.

Mesmo com a fiscalização, assim que os guardas passam, os camelôs retornam ao posto e tomam as calçadas da cidade.
A proliferação dos vendedores ambulantes está diretamente ligada ao modelo econômico neoliberal implantado no País, que ampliou o desemprego, jogando milhares de trabalhadores na informalidade. As pessoas são obrigadas a ganhar a vida como comerciantes de rua. Se existisse emprego decente para todos, o número de camelôs seria residual e o problema não existiria. A governança comunista vai criar os centro populares de vendas em várias regiões da cidade, de forma a encaminhar positivamente esse problema, mesmo sabendo que ele só será resolvido com uma política global de crescimento econômico e distribuição de renda.

Milhares de crianças esperam por uma vaga na rede municipal de ensino infantil e tantas outras estão na fila para uma vaga nas creches.
O abandono da educação por parte do poder público, seja ela na pré-escola, no ensino fundamental e médio, faz com que os brasileiros se envergonhem do baixíssimo nível escolar. Junto a isso, proliferaram escolinhas, creches privadas que são muitas vezes bem piores que qualquer equipamento público sucateado. Nossa governança comunista entende que educação é um direito humano fundamental e, portanto, deve ser pública, gratuita e de qualidade. Nossa proposta é desprivatizar (sic) a educação. Implantar a educação integral, de dia inteiro, Instituir os conselhos populares de educação. Vamos construir ao longo dos quatro anos 50 centro populares de cultura, visando a democratização e a aproximação da cultura junto à população.

Com relação às creches, é um absurdo um município rico como São Paulo não proteger as suas crianças. É dever da prefeitura oferecer creche para todas as crianças à partir dos 4 meses de idade. A governança comunista é a única que tem capacidade de fazê-lo, já que entende ser este um direito fundamental.

A governança comunista tem o ser humano como o centro de sua proposta e, neste sentido, os profissionais de educação são os maiores responsáveis pela qualidade neste setor. Nossa proposta é de ampla valorização tanto dos professores, como dos funcionários das escolas e das creches. Maior contratação, valorização salarial e incentivo à qualificação permanente destes profissionais são fundamentais para transformar a educação em São Paulo num exemplo para o país.

O que o senhor pensa da Lei da Cidade Limpa? Pretende mantê-la? Modificá-la?
Manter a cidade limpa é um dever da municipalidade, mas a cidade não pode ser limpa apenas na questão visual. Para termos a cidade limpa é necessário o saneamento básico na periferia, evitar os esgotos a céu aberto, possibilitar água tratada para todos e serviços sociais básicos, reduzir a poluição do ar, acabar com o despejo de entulho nas vias públicas e terrenos vazios.

Gilberto Kassab


Quais as decisões que o senhor julga urgentes para São Paulo?
Continuar investindo e avançando nas minhas prioridades: saúde, educação e transporte Público. São urgências permanentes que compõem as grandes linhas mestras da minha administração. Projetos e políticas coerentes de uma gestão que, começando com Serra prefeito, acabou com as taxas da ex-prefeita Marta Suplicy, tirou a cidade do caos da saúde, pôs a educação nos trilhos, pagou os credores, recuperou as finanças e está investindo, de verdade, no metrô, na entrega de remédio em casa, nos dois professores em sala de aula, na reurbanização de favelas, recapeamento e asfaltamento.

Está tudo pronto e perfeito? Claro que não. E o desafio é melhorar ainda mais. São Paulo tem urgências nascendo todo dia, se o administrador não for firme, se bobear, tornam-se crônicas. Como a cidade suja, poluída - que hoje está de cara nova. Urgências também são enfrentadas com soluções heterodoxas.

Qual questão pretende atacar de imediato, caso seja eleito?
Saúde, educação e transporte público. Saúde e educação estão nos trilhos, mas precisam de expansão e aperfeiçoamento, tanto de equipamentos como na prestação dos serviços. A demanda cresce continuamente, mas estamos trabalhando. No transporte público, além dos 6 mil ônibus novos, dos novos corredores com pontos de ultrapassagem, da modernização da CET, do maior programa de asfaltamento e recapeamento da América do Sul, estaremos aplicando, até o final do mandato, 1 bilhão de reais no metrô. Nenhum prefeito terá investido tanto na história de São Paulo.

Minha gestão aplica 50% do orçamento em educação e saúde. A lei manda aplicar 15% do orçamento em saúde. Eu aplico 20%. Isso é prioridade de verdade, porque prioridade sem verba é lero-lero. Depois de 18 anos, a cidade ganhou dois novos e grandes hospitais (em Cidade Tiradentes e no M’Boi Mirim), 110 AMAs, 217 novas escolas (sendo 25 CEUs até o final do meu mandato). Na saúde, podemos avançar no atendimento de especialidades. Até o final do ano serão dez AMAs de especialidades. Acabei de vez com as salas e escolas de lata e estamos trabalhando duro para eliminar o turno escolar das 11h às 15h, o chamado “turno da fome”.

Atualmente, o problema mais discutido na cidade é, sem dúvida, o caos no trânsito.
Só há um caminho: oferecer transporte coletivo de qualidade para estimular as pessoas a deixar seus carros em casa. Nenhuma cidade pode funcionar com 4 milhões de veículos circulando ao mesmo tempo. Se os prefeitos que me antecederam tivessem feito o mesmo investimento em metrô (leia acima), hoje São Paulo teria 60 km de linhas a mais, o dobro da rede atual. E certamente a situação estaria muito melhor.

Além disso, tomamos uma série de providências para melhorar a fluidez do trânsito. Uma decisão importante foi a restrição dos caminhões no centro expandido. Era uma situação absurda, milhares de caminhões convivendo no horário comercial com os carros de passeio. Nenhuma cidade comporta essa situação. E o trânsito melhorou. É possível perceber que houve uma redução sensível e uma melhora da fluidez. Estendemos a medida às marginais.

Os caminhões também passaram a respeitar o rodízio no centro expandido. As empresas se adaptaram, refizeram sua logística e hoje tenho certeza todos concordam que São Paulo melhorou.

Também recuperamos a CET, que encontramos sucateada. Contratamos guinchos. São Paulo hoje conta com 50 guinchos. Contratamos novos guardas de trânsito, os marronzinhos. A partir de agosto, 250 novos marronzinhos passam a trabalhar nas ruas de São Paulo. Investimos na recuperação dos semáforos inteligentes, que estavam “burros”.

De acordo com nossos leitores e usuários do sistema, o transporte público oferece um número reduzido de veículos e boa parte deles em péssimo estado de conservação.
Não é verdade. Nossa gestão entregou 6 mil ônibus novos, uma quantidade extraordinária. Nunca uma gestão entregou tantos ônibus novos à cidade de São Paulo, que hoje possui 15 mil coletivos. O problema não é a falta de ônibus, mas fazer com que eles andem mais rápido. Para isso são necessários corredores de verdade. Não basta separar uma faixa da pista. São necessários pontos de ultrapassagem e um sistema para que o ônibus circule praticamente sem paradas, como fizemos no Expresso Tiradentes, que já possui 8,5 km funcionando e quando estiver totalmente concluído terá 32 km de extensão, ligando o centro à Cidade Tiradentes. Outro corredor como deve ser feito é o que estamos construindo na Celso Garcia, que ligará a zona leste ao Centro. Com 25 quilômetros, ele possuirá pontos de ultrapassagem e um sistema de semáforos e cruzamento inteligentes para que os ônibus circulem quase sem interrupção.

Nós também melhoramos muito o Bilhete Único. Primeiro, estendemos o benefício para os trens e para o metrô. Isso já foi um ganho muito importante para quem usa o transporte coletivo na cidade. E mais recentemente estendemos a validade do bilhete de duas horas para três horas. Esse conjunto de medidas torna mais atraente o transporte coletivo e estimula as pessoas a deixarem seus carros em casa. Não há outro caminho para reduzir o trânsito e melhorar a qualidade do transporte público na cidade.

O que o senhor pensa da Lei Cidade Limpa? Pretende mantê-la? Modificá-la?
Naturalmente sou um entusiasta. Quando sugeri a proibição total de cartazes e propaganda externa na cidade, ninguém acreditou que daria certo. São Paulo, que era uma das cidades mais poluídas visualmente no mundo, hoje é modelo. Mais de cem delegações, muitas estrangeiras, já vieram estudar nosso combate à poluição visual. É uma lei que deu certo, que tornou São Paulo mais humana. É uma conquista extraordinária e com aprovação fortíssima dos paulistanos.

A lei vai continuar com todo o rigor. Admito, porém, que nas paradas de pontos de ônibus é possível fazer uma concessão bem organizada, que permita a colocação de alguma propaganda de dimensão adequada e que isso reverta em recursos financeiros expressivos para a prefeitura, que serão usados para oferecer conforto para os usuários de ônibus.

Marta Suplicy


Quais as decisões que a senhora julga urgentes para São Paulo?
Nosso maior desafio é promover a inclusão social, por meio de programas que atinjam a população de baixa renda. Para isso, vamos ampliar os programas para os mais pobres. E, apoiar, fortemente, os que saíram da pobreza – e agora formam uma nova classe média. Os que têm melhor nível de renda também precisam ser atendidos, com medidas que estimulem o empreendedorismo, porque são os que pagam mais impostos.
O trânsito e o transporte não podem continuar dando tanto prejuízo. No sistema de saúde, precisamos acabar com a demora absurda na marcação de exames e oferecer serviços de especialidades para tratar das doenças mais sérias. Na segurança, diminuir a violência e o crime em São Paulo, com trabalho preventivo e comunitário. Na educação, temos que melhorar a qualidade de ensino e criar a Rede CEU, fazendo com que o conceito de educação/lazer/cultura chegue às crianças de toda a cidade, mesmo as que não estão matriculadas num CEU.

Qual questão pretende atacar de imediato, caso seja eleita?
Trânsito e transporte público. As ações de curto prazo concentram-se em melhorar a gestão, investindo na CET, com equipamentos e pessoal para reduzir os congestionamentos. É necessário ter guinchos para retirar das ruas carros e ônibus quebrados. Hoje temos menos marronzinhos que em 2004.

Outra ação é aumentar rapidamente a velocidade dos ônibus nos corredores. Fazer com que os semáforos sejam regulados para facilitar o fluxo no corredor e estudar maneiras para que as pessoas entrem mais rápido nos veículos, como ocorre no metrô, com pequenas paradas nas estações sem prejuízo do tempo de uso do Bilhete Único, e fazer com que volte a recarga de créditos na catraca.

Sobre os resultados no médio e longo prazo, pretendemos investir muito no metrô e em novos corredores de ônibus, mais que dobrando a rede de metrô até 2014, em parceria com o governo do estado e o governo federal, e construindo 279 kms de novos corredores de ônibus.

Como aprimorar a qualidade do serviço de transportes públicos, que oferece um número reduzido de veículos e boa parte deles em péssimo estado de conservação?
Vamos investir pesadamente no metrô em parceria com os governos estadual e federal. Quando ainda era ministra do turismo, apresentei um plano ao presidente Lula, prevendo uma ampliação de mais 65 quilômetros de metrô em São Paulo até a Copa do Mundo de 2014. Isso significa dobrar a rede já existente. É possível fazê-lo e, para isso, propomos que o financiamento seja de 25% dos recursos da prefeitura, 50% do estado e 25% do governo federal.

Também vamos criar mais corredores de ônibus, aumentando a velocidade nos existentes. Praticaremos uma política de renovação permanente da frota como a que tínhamos na gestão anterior. Quanto ao Bilhete Único, quanto mais benefícios oferecer, mais as pessoas preferirão usar o transporte coletivo para se deslocar pela cidade.

O que a senhora pensa sobre a Lei da Cidade Limpa? Pretende mantê-la? Modificá-la?
Vamos manter, até porque na minha gestão tínhamos implantado o programa Belezura, que já previa esse tipo de intervenção. Agora falta encontrar formas de ajudar na recuperação dos imóveis cujas fachadas degradadas ficaram expostas.

Mesmo com a fiscalização, assim que os guardas passam, os camelôs retornam ao posto e tomam as calçadas da cidade. O que a senhora pretende fazer para solucionar este problema?
O comércio ambulante deve ser regulado, os espaços delimitados e os negócios regularizados. O ordenamento é importante para evitar a concorrência desleal, mas o assunto deve ser tratado com sensibilidade, pois o comércio informal tem características de empreendedorismo, uma importante forma de geração de riqueza, emprego e renda.

O desenvolvimento de políticas de estímulo ao empreendedorismo será uma de nossas prioridades, tanto de quem já está estabelecido, quanto na geração de novos empreendedores e na regularização dos negócios de quem tem atividade informal. Isso exige atenção a questões de natureza tributária e simplificação de processos, para criar novas empresas e também fechar, quando for o caso. A prefeitura pode também ter um papel importante em ações de apoio e orientação para a formalização dos negócios.

Milhares de crianças esperam por uma vaga na rede municipal de ensino infantil e tantas outras estão na fila para uma vaga nas creches...
A educação infantil é um dos mais graves problemas que temos. Há um tremendo déficit de vagas nas creches. Procuraremos atender a demanda por meio de um conjunto de ações, entre as quais, a integração CEI/EMEI (Centro Educacional Infantil/Escola Municipal de Educação Infantil) numa única escola, para atender à primeira infância. Vamos fazer uma oferta, também, de período integral para as crianças que necessitem, e ampliar o funcionamento de EMEIs para seis horas.

No que diz respeito à grande demanda por vagas em creche, vamos combinar a construção de novas unidades, com a ampliação dos convênios com instituições particulares, e implementaremos o programa Pró-Criança nos moldes do Prouni (Programa Universidade para Todos), com creches particulares e mais vagas.

Os candidatos respondem

Selecionamos algumas perguntas feitas por leitores deste blog aos candidatos à prefeitura da cidade. Entramos em contato com todos eles e encaminhamos o questionário que trata de administração pública, trânsito, educação, cidade limpa, comércio informal.

Vários políticos já responderam, pessoalmente ou por meio de seus assessores. Veja mais nos próximos posts.

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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Começou a corrida...

Candidatos definidos, as emissoras de TV já organizam debates e mesas redondas. O primeiro aconteceu ontem na Bandeirantes. Participaram oito dos onze que disputam o pleito. Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Gilberto Kassab (DEM), Paulo Maluf (PP), Soninha Francine (PPS), Ivan Valente (PSOL), Ciro Moura (PTC) e Renato Reichmann (PMN).

Saiba como foi o debate (até nos bastidores) e acompanhe também a cobertura completa de VEJA.com

>>Leia mais: Líderes em pesquisas se enfrentam em debate

>>Especial Eleições 2008

>>Acesse o calendário do período eleitoral

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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Ficha Limpa

Em um dos comentários deste blog, a leitora Janinha pergunta se existe algum lugar onde podemos encontrar a ficha dos candidatos com algum tipo de pendência na justiça. Boa pergunta!

>>Na última sexta-feira, dia 18, Mílton Jung, âncora do programa CBN São Paulo, entrevistou Gilberto de Palma. Palma é diretor do Instituto Ágora, uma das organizações que participam da campanha Ficha Limpa (ouça a entrevista). Essa campanha pretende reunir assinaturas para impedir a candidatura de políticos já condenados em 1ª instância do sistema judicial e incentivar assim o voto consciente.

>>Para ter conhecimento sobre o que os candidatos andam fazendo por aí, o projeto Transparência Brasil - Excelências traz informações sobre 2362 políticos em exercício nas casas legislativas do país. Clique aqui para acessar o site.

>>Mantido pela mesma organização, o site Deu no Jornal reúne reportagens relacionadas à corrupção e seu combate publicadas em jornais e revistas de todo o país.

>>A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou nesta terça, 22, a lista de candidatos a prefeito e a vice-prefeito que respondem a ações penais, de improbidade administrativa e eleitoral. Veja a lista completa.

Ficam aí algumas dicas para você se informar antes de votar - e praticar a cidadania de forma consciente.

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Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Educação: Um problema nacional


Dando continuidade à nossa série de discussões, lançamos esta semana o tema EDUCAÇÃO!
Selecionamos alguns dados que indicam as deficiências do ensino público no país e na cidade de São Paulo:
>>Segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), 72% da população brasileira não é plenamente alfabetizada.
>>O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), revela que a qualidade de ensino vem caindo desde 1995.
>>De acordo com o The Programme for Internacional Student Assessment (Pisa), entre 57 países testados, o Brasil é o 52° colocado em ciências e o 53° em matemática.
>> O último ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), entre as dez melhores escolas da cidade de São Paulo, apenas duas são públicas, sendo que ambas são de ensino técnico.
>>Mais de 50 000 crianças esperam por uma vaga na rede municipal de ensino infantil em São Paulo
>>Nas creches, o índice é maior: acima de 90 000 crianças estão na fila
Estes são apenas alguns dados que mostram a atual situação educacional do país e do município. E você, o que acha desse panorama? Faça sua pergunta para os candidatos à prefeitura de São Paulo. Lembrando que este tema é só uma sugestão de pauta. O debate está aberto para todas as questões. As perguntas serão selecionadas e encaminhadas para aos candidatos no dia 30 de Julho. As respostas entrarão no ar em agosto. Participe.

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Terça-feira, 8 de Julho de 2008

E o assunto é...
...trânsito

Enquanto não surgem soluções para o caos diário nas ruas de São Paulo, o trânsito continua sendo um dos maiores problemas da capital.
Na edição de 2 de julho de 2008, Veja São Paulo dedicou uma reportagem especial ao assunto: Trânsito - O inferno nosso de cada dia”.
Só para ter uma idéia, todos os dias 950 novos carros são despejados na cidade e os congestionamentos não páram de crescer.

Você sabia?
>> a frota oficial de São Paulo é de 6,1 milhões de veículos, 4 milhões deles em circulação
>>o número de novos veículos adquiridos entre janeiro e maio deste ano é 32% maior do que o mesmo período no ano passado
>>de 2006 para 2007, a velocidade média dos veículos nas ruas caiu de 29 para 27 quilômetros por hora
>>o primeiro engarrafamento da capital teria acontecido em 12 de setembro de 1911, data da inauguração do Teatro Municipal
>>o maior engarrafamento já registrado aconteceu no dia 9 de maio, com 266 quilômetros de lentidão nos arredores da Rodovia Presidente Dutra e da Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi

Quer saber como os candidatos a prefeito planejam resolver esse problemão? Envie sua pergunta abaixo, no espaço dos comentários. Ela será encaminhada para TODOS os políticos que terão o prazo de três dias para responder.

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Pergunte ao candidato

Terminou o prazo para a inscrição dos