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Quem não bebe vinho não vê o mundo girar...

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Angheben

O futuro do vinho do Brasil parece estar mais ao sul do que pensamos. Atenção à região de Encruzilhada do Sul, onde a família Angheben, liderada pelo maestro e professor Idalêncio, já tem seus vinhedos e fazem interessantíssimas experiências.

GEWURZTRAMINER 2008
Produção pequena, de 3000 garrafas. Cor bem clarinha, com um restinho de CO2. Muito aromático, com floral, um toque de guaraná, quase lembrando um muscat. Na boca é cremoso, tem uma acidez fresquíssima, cítrica, mas com finalzinho quente de álcool. Retrogosto aromático, apesar de não ser muito longo. R$ 29,00

BARBERA 2007
Produção também pequena de 4200 garrafas. Nariz discreto, mas perfumado, com um toque de cravo, canela e cereja. Na boca é liso e fresco, com taninos fininhos, corpo médio pra leve. Todo correto, para uma comida leve. R$ 33,00

CABERNET SAUVIGNON 2004
Aromas evidentes de pimenta malagueta, calabreza e pimentão cozido. Bem seco em boca, com taninos finos, um pouco apertados. Não estava comendo, mas suponho ser um boa opção para pratos que levem pimentões ou frios temperados em geral - linguiça, copa, jamón...R$ 22,50

TOURIGA NACIONAL 2005
Sim senhor, portuguesa, com certeza, mas criada em Encruzilhada do Sul, RS. Nariz começa verde, folha pisada e um toque mineral de carvão. Abre logo para floral, e continua verde. Depois vai abrindo para gigos, tabaco, lavanda, e com a oxigenação ganha vai mostrando uma complexidade legal. Na boca é bem redondão, corpo gorducho, boa acidez e final um pouco salgado e com um calorzinho de álcool. R$ 36,00
TOURIGA NACIONAL 2008 (mesmo vinhedo, ainda em tanques)
Muito profundo, mas bem fechado, com muitas notas torradas, de pão queimado e carne. Na boca dá pra sentir o gás de vinhos ainda no tanque, a boa acidez e a potencia do álcool. Não está pronto ainda, literalmente.

TEROLDEGO 2005
Quase na moda, esta uva tem origem no extremo norte da Itália, região do sudTirol - também de onde vem a família Angheben. Muito intenso, notas de couro, borracha, um toque de esmalte, pó de café. Aromas bem fechados e masculinos. Na boca tem excelente frescor, taninos muito finos, muito volume, muita intensidade de sabor, final longo com frescor, ideal para comer. R$ 59,00
Na Vinci - 11. 27970000

Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Uma tarde na Casa Valduga



Um passeio pelo vale dos vinhedos é sempre uma delícia. Principalmente se o passeio conta com uma paradinha no restaurante da Casa Valduga. Lá, o senhor João não me deixou dizer não às deliciosas (e numerosas - mais de 5 diferentes) massas servidas. Isso, sem contar as deliciosas entradinhas e as carnes no final. Sim, e a sobremesa de sagu, de cair pra trás.
Alguns vinhos interessantes que degustei.

Sauvignon Blanc 2005.
Nariz muito límpido, lembra fruta fresca, pera. Na boca é cremoso, tem pouca acidez, é um pouco alcoólico e curto, mas agradável no geral.

Cabernet Franc 2004
Nariz muito perfumado, com fruta intensa. Tem taninos lisinhos, é cremoso, mas tem um certo amargor no final.


Arinarnoa 2005
Esta uva é um cruzamento de Merlot com Petit Verdot, feito em 1956 pelo instituto nacional de pesquisas agronômicas do sudoeste da França, perto de Bordeaux. Vinho muito perfumado e floral, com um pouco de morango. Na boca é bem fresco, com taninons finos, ótimo volume e final muito bem acabado. Fiquei comendo com um queijinho tipo parmesão brasileiro da Random e ficou delicioso. Idem para as costelinhas servidas ali no restaurante da Casa Valduga, diga-se de passagem, impecável.
Detalhe para a embalagem marketeira, que, quando você compra, marca sua impressão digital, "simbolizando" que nenhum vinho é igual ao outro. Tá.

Cabernet Sauvignon 2004
Toque evoluído de couro, elegante, um pouco de baunilha. Na boca é fresco, mas tem taninos um pouco duros e finalzinho alcoólico, um pouco curto. É bom enquanto está em boca, mas termina deixando a desejar.

Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Variedade de uva x Idade do vinho

O leitor Eduardo Feijó nos escreve com a seguinte colocação: "Quanto tempo de guarda é necessário para equilibrar os vinhos de uvas cabernet sauvignon, merlot, malbec, shiraz. Muitos falam que cabernet sauv. com menos de 4 anos não é bom e os outros?"

Eduardo, o que define a idade do vinho não é apenas a uva. Há uma série de fatores influentes que determinarão o estilo do vinho e, por estilo, entenda ele ser de guarda ou não. Quero dizer que, tomemos o exemplo da Cabernet Sauvignon: se ela for plantada para produzir um vinho que esteja pronto cedo, assim que sai o mercado, assim será o vinho. Os produtores de vinho atualmente têm uma série de técnicas tanto de vinhedo como de adega que podem dar o resultado que eles buscam.
Clima, temperatura, região, inclinação do vinhedo, ventos, quantidade de chuva, de sol, clima da safras, variedade de uva, quantidade de uva produzida por vinhedo ou por planta, forma de vinificação, maceração, passagem ou não por barricas de carvalho, são apenas algumas da variantes no estilo final do vinho.
Se uma delas mudar, muda tudo. Então, lembre-se, sempre, que essas regrinhas generalizadoras que te contam por aí são mentirosas. Cada garrafa é uma garrafa. Beba sempre, beba sem pré-conceitos, literalmente. Um abração.

Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

XVI Avaliação Nacional de Vinhos. Safra 2008


A décima sexta edição da Avaliação Nacional de vinhos, safra 2008, organizada pela Associação Brasileira de Enologia, já chegou chegando, com 50% a mais de amostras do que a edição anterior. A idéia da avaliação não é premiar, mas escolher e apresentar o que há de mais significativo dentro de cada safra. Neste ano foram 318 amostras de 62 vinícolas de várias regiões do país. Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Paraná aparecerem junto com os já tradicionais vinhos do Rio Grande do sul. Estive lá, à mesa dos jurados, para comentar as 16 amostras que foram selecionadas como mais representativas da safra pelos 78 enólogos que degustaram os vinhos, em um processo de várias fases.
Confesso que algumas categorias, como a primeira, de vinho base, eram um pouco mais difíceis de julgar, já que eu não sei exatamente dizer como deve ser um vinho base de espumante para que o espumante seja de qualidade. Lógicamente procuramos usar os mesmos critérios, como ter um nariz “franco” (sem nenhum aroma estranho), limpo e com algo de aromas ainda varietais e boa acidez, mas não muita, porque o gás carbônico produzido depois acaba evidenciando muito mais a acidez excessiva, segundo me explicou Dominique Foulon, que trabalhou muitos anos na Möet & Chandon em Champagne. Uvas pouco degustadas, como a Ancelota, também às vezes são difíceis de analisar, já que não temos nenhuma referência de tipicidade, mas enfim, segui os mesmos critérios, tentando sempre identificar a qualidade da fruta, dos taninos, sua maturidade e equilíbrio em geral.
É importante, e faço questão de, frizar a belíssima organização da ABE para o evento. Eram quase 1000 pessoas degustando ao mesmo tempo e, o serviço, feito pelos jovens estudantes de viticultura do CEFET fizeram um trabalho no mínimo lindo. Vamos às minhas impressões.
Categoria: Vinho Base para Espumante

1. BASE ESPUMANTE (Chardonnay/Pinot Noir/Riesling Itálico) Vinícola Perini: aromático e perfumado, bem limpo com um toque mineral. Em boca tem boa cremosidade, acidez média, correta. Final um pouco alcoólico, mas que acaba conduzindo bem os aromas e dá comprimento e persistência.
2. BASE ESPUMANTE (Chardonnay/Pinot Noir/Riesling Itálico) Möet Hennessy do Brasil : muito aromático, bem maduro com notas de maçã. Em boca tem bastante volume, pouca acidez e não é muito longo. (eu achava que isso não era bom, mas o Sr. Foulon deu 92 pontos para esta amostra).

Categoria: Branco Fino Seco Não Aromático

3. VIOGNIER – Cia. Piagentini: Nariz bem floral, toque de jasmim, manga verde e maçã. Na boca é bem redondinho, com um toque fresco de acidez, mas um finalzinho um pouco quente, alcoólico. Comprimento bom, lembrando maçã.

4. RIESLING ITÁLICO
Vinhos Salton : nariz limpo, lembrando um pouco de maçã fresca, toque floral e exótico, tropical. Na boca é cremoso, bom volume, pouca acidez, falta um pouco de frescor e uma leve sensação de doçura no final (que eu acho que não precisava).

5. CHARDONNAY –Don Guerino: Nariz super maduro, lembrando banana e muito álcool, brandy, pesado. Na boca também, muito gordo e volumoso, faltava frescor, com final alcoólico, também lembrando brandy.

6. CHARDONNAY –Casa Valduga: Um leve toque floral, de talco no início e depois uma leve nota reduzida, um pouco fedidinho. Na boca estava fresco, também com uma certa doçura de álcool.

Categoria: Branco Fino Seco Aromático

7. MOSCATO ITÁLIA –Fazenda Ouro Verde: Nariz aromático, com notas delicadas florais e de maçã. Na boca é seco, tem boa acidez, é magrinho, bem acabado, com final um pouco alcoólico.

8. MOSCATO GIALLO Vinhos Salton : nariz com um pouco de jasmim, um pouco de cheiro de farmácia e fruta passada. Na boca é cremoso e com bom frescor, mas um pouco plano, falta vida, faísca, apesar de não ter nenhum defeito grave.

Categoria:
9. Rosé Seco (Merlot –Cabernet Sauvignon) – vinícola Dal Pizzol: cor cereja muito clara. Nariz limpo, lembra melancia e morango, um pouco alcoólico, mas também com um toque floral. Textura lisa, bom volume, acidez média, mas um final um pouco amargo, desagradável, com taninos finos.

Categoria: Tinto Fino Seco Jovem

10. PINOT NOIR –Fortaleza do Seival Vineyards: cor exuberante, muito escuro e violáceo. Nariz com boa fruta, um pouco exagerado para um Pinot, mas notas de cravo agradáveis. Na boca tem um restinho de gás carbônico, boa acidez, taninos secantes, um pouco desintegrado, com amargor no final. É bom lembrar, no entanto, que a maioria destes vinhos ainda está no tanque, e nada prontos para beber.

Categoria: Tinto Fino Seco

11. CABERNET FRANC –Cooperativa Vinícola Aurora: muito fruta madura, bem intenso, ainda está no tanque, tem um excesso de concentração e está um pouco fechado. Na boca é liso, tem bons aninos, bom volume, acidez equilibrada com finalzinhoa amargo lembrando café.

12. CABERNET FRANC Vinícola Valmarino: outro Franc de muita concentração. Negro na cor, com bordas violáceas intensas, lindo no visual. Nariz muito exótico, lembrando pimenta malagueta, floral e geléia de jaboticaba. Na boca é rico, tem ótima acidez

13. MERLOT –Rasip Agropastoril : muito escuro e violáceo. Nariz lembrando banana, bem intenso, com notas de chocolate e alcoólico. Faltou a fruta. Na boca é bem liso, tem boa acidez, mas é muito tostado, carregado com taninos duros, alcoólico e amargo – bem desequilibrado no geral, mas o vinho ainda está nos tanques.

14. MERLOT Vinícola Miolo : Um cheiro de queijo no princípio, bem estranho. Depois abriram-se umas notas de chocolate amargo e café. Na boca é liso, tem boa acidez, taninos médios, não muito prontos, com finalzinho curto lembrando cacao.

15. ANCELLOTTA Catafesta Indústria de Vinhos: Cor totalmente negra. Tinha cheiro daquela bala de morango 7 belo, caramelo, floral e um pouco de couro. Na boca tinha frescor, um toque de acidez, o que faz dele um vinho gostoso, apesar do final curto.

16. TANNAT Vinícola Gheller: fechado, reduzido, lembrando chulé. Depois abre, mas não muito. Tem aromas queimados, de borracha e café. Na boca é redondo, tem uma textura doce, agradável, apesar de ser um pouco quente, com taninos jovens. Final tem comprimento médio. Promete, assim que tomar um pouco de oxigênio.

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Joaquim 2005


Interessante este Cabernet Sauvignon de santa catarina. Nariz discreto, nada exuberante, bem elegante, com um pouco de floral (confesso que tenho encontrado uns florais nos cabernet brasileiros), como se fossem aqueles sabonetes antigos, um cheiro de rosa, algo assim. Taninos bem fininhos, boa acidez, textura fininha, com um pouco de álcool sobrando no final, a boca fica quente. Sobra também madeira no retrogosto, tanto no sabor que se sobrepõe à fruta quanto na textura um pouco pegajosa e finalzinho amargo - o produtor poderia ter se mantido na linha frutada. Mas, no geral, agradável. Feito com Cabernet Sauvignon e Merlot e 10 meses em carvalho francês. R$ 62,00 em média. Pagaria uns R$ 35,00.

Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Viagem! Feriadão 15 novembro

Acabei de conhecer um pessoal de uma agência de viagens que se dedica a levar as pessoas por lugares mais vitivinícolas da Argentina, um pouco fora do roteiro turístico comum.
Como já comentei aqui, nada melhor que teoria e prática unidas para entender definitivamente o vinho. Um pouco de teoria no estilo: "acá producimos nuestros vinos, acá son las barricas, etc etc" e depois: prática, ou seja, tomar vinho.
Mendoza é definitivamente charmosa, assim como Buenos Aires, também incluída no pacote.
Imperdível pra quem gosta de vinho, comida e tudo o que está em volta destes prazeres.

Em vez de um guia turístico, um guia enófilo: ninguém menos que Walter Tommasi, degustador de vinhos e colunista da Vinho Magazine e do Jornal Vinho e Cia, guia a turma para as principais bodegas, na linha de Andeluna, Tapiz, O.Fournier, Vinícola Reyter e Família Zuccardi , sempre com almoços e degustações.
O preço do apê duplo é bem mais interessante que o single.. e afinal de contas, quem vai a uma viagem destas desacompanhado???


Serviço:
No pacote são 4 noites em Mendoza, no Hotel Park Hyatt Mendoza, e 3 noites em Buenos Aires, no Hotel Sofitel, incluindo: * Passagens aéreas: São Paulo / Buenos Aires / Mendoza / Buenos Aires / São Paulo;* Translados in-out;* City-tour;* 4 noites no Hotel Park Hyatt Mendoza;* 3 noites no Hotel Sofitel em Buenos Aires.

Preço por pessoa em apto duplo a partir de US$ 2.390,00E a partir de US$ 3.640,00 por pessoa em Single
Saída: 15 de novembro
Chegada: 22 de novembro
Forma de pagamento:À vista ou 40% de sinal no ato da reserva e o saldo em cartão Visa ou Mastercard em parcelas (preço calculado baseado em 14 participantes).
Mais informações: NOB HILL Tour OperatorTel: (11) 3473-9400www.nobhill.com.br

Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

ll Simpósio Internacional Vinho e Saúde

Estou em Bento Gonçalves neste semana para assistir ao II Simpósio Internacional Vinho e Saúde. Organizado pela Associação Brasileira de Enologia e com apoio da Embrapa uva e vinho, o simpósio acontece a cada dois anos. Neste ano traz pesquisadores de sete países que abordarão aspectos como o uso dos polifenóis do vinho na dermatologia e cosmética (Vinoterapia), propiedades antitumorais dos compostos do vinho, efeito antioxidante de elementos do vinho (reseveratrol) e, não apenas o lado bom, mas também por exemplo, substâncias do vinho que podem causar alergia e toxinas.
Benefícios do consumo de suco de uva e também serão abordados.

Nesta manhã tive a oportunidade de assistir a três brilhantes palestras. A primeira, com Morgane Pasini Franzoni , sobre a Vinoterapia, a segunda sobre Suvo de uva e estresse oxidativo, com Caroline Dani, da Universidade de Caxias do Sul e a terceira com a Dra. Isa Beatriz Noll sobre Toxinas e Alergêneos.

Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

O Dagueneau morreu!


Nossa, que tristeza. Fiquei sabendo só hoje que o Didier Dagueneau morreu em um acidente de avião. Que droga!

Ele deu uma aula pra gente na escola de sommeliers do centro federal de pesquisas agronômicas, na Suíça, onde eu estudava.

Ele é o maior produtor de Pouilly Fumé, produtor dos mais incríveis Sauvignon Blanc do mundo, se não o melhor. Ele cultivava em biodinâmica desde 93 seus 11 hectares de vinhas.

Seu vinho mais conhecido é o Sílex, algo realmente difícil de descrever. Era produzido com uvas de vinhas velhas, de 35 a 65 anos plantadas em um solo com alto conteúdo de sílex. O vinho fermentava e depois envelhecia em barricas. Enfim, todo um cuidado.
O drama é pensar que ele não vai mais produzir vinhos nem assim, nem de outra forma...
luto.

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Tapas e vinhos em NY

Não, eu não briguei com meu marido aos tapas na nossa lua de mel. Refiro-me às tapas espanholas, o que poderíamos traduzir como "petiscos". No TiaPol (http://tiapol.com) comemos as mais deliciosas tapas espanholas no charmoso bairro de Chelsea, em NY.

Um cardápio incrível com elementos simples como linguicinha frita aromatizada com jerez ou mesmo azeitonas, até outros mais elaborados, como atum selado, recheado com uma pastinha de boquerones em vinagre e tapenade... bem delicioso.

Sobre os vinhos, incrível carta com espanhóis e várias taças a preços ótimos.
Tomamos Manzanilla la Cigarrera com azeitonas. Un Rueda chamado "Con Class" 2007 maravilhoso com amêndoas tostadas, um txacolina (vinho branco do país basco) também 2007 com o chorizo (linguicinha).
Partimos para os tintos e tomamos um Bierzo tinto chamado Peique, e um outro tinto Menguante da uva Garnacha, da região de Cariñena: biodinâmico e delicioso...
continuamos, mas confesso que parei de anotar...
Tia Pol
205, 10th Avenue - Chelsea - NY

Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande

Uau! acho que não cometi nenhum erro de grafia.. Difícil de escrever mas facilíssimo de tomar. Esteve aqui,na semana passada, a convite da importadora World Wine, Gildas d'Ollone, diretor do Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande, de Pauillac, Bordeaux, França.

Começamos pelo Ch. Bernadotte 2004, de Haut Médoc, vinho mais "em conta" deles (R$ 120,00). Tem boa fruta no nariz, um poquinho reduzido, tinha um pouco de acetona e depois um trufado. Na boca é deliciosamente ácido e gostoso, apesar dos taninos ainda jóvens e nervosinhos. Mas com o carpaccio com molho de azeitonas pretas que foi servido ficou mais fácil.

O Reserve de la Comtesse, também 2004 (R$ 240,00) é, segundo d'Ollone, o vinho que leva a cara da casa, ou o que mantém seu estilo. Boa fruta no nariz, bem limpo, com notas de cravo e um toque alcoólico. Esse álcool, em boca, dá um excelente volume e comprimento, como se ajudasse a impregnar a boca e o nariz com todos os aromas. Taninos bem finos, pouca acidez e longo, muito sútil no final, bastante perfumado. Foi o melhor da tarde, mais pronto, melhor pra comer.

O Pichon 2004 (que vai custar por volta de R$ 600,00) tinha o nariz bem clássico, com fruta, canela, um pouco de maçã vermelha, toques de toffee, tudo ainda muito jovem. A boca ainda está difícil, não harmoniza com nada, mas com potencial claro.

Depois tomamos o Pichon 2001 de uma garrafa Magnum. O nariz estava mais fechado, mais apimentado, com menos fruta que o 2004. Depios apareceram uns florais, algo de lavanda (de sabão de lavanda, aqueles de avó) e incenso - tudo muito agradável. Na boca estava fino, taninos fininhos, excelente acidez, longo, com o álcool cumprindo perfeitamente sua função de "condutor" de aromas garganta abaixo, nariz acima...

Na minha modesta opinião, o Reserve foi o vinho que estava melhor ali, naquele momento: já pronto, combinando bem com comida, mas com ainda algum potencial de envelhecimento.

Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Vinhos de Nova Iorque

Como já disse pra vocês, estive em NY há pouco. Por lá provei várias comidas e bebidas, todas interessantes. Talvez a que mais me intrigou, por motivos óbvios, foi o vinho produzido no estado de Nova Iorque. Não o vinho em si, mas um bar com uma carta de mais de 200 rótulos produzidos única e exclusivamente no estado.

Seu nome: Vintage New York Wine Bar. Seu slogan: Drink Local ("beba local")

A produção de vinhos por lá se concentra nas regiões de Long Island, ilhota que se estica para depois do lado leste da cidade e Finger Lakes, uns lagos compridos que ficam lá no norte da região, fronteira com o Canadá.
A carta de vinhos deles tem uma série de "flights", ou seja, mini sequência de vinhos, que você escolhe o tema (geralmente é a uva) e eles te trazem 3 tipos.
Tomei uma série de cabernet sauvignon e realmente foi horrível. Todos super verdes, sem estrutura, magros, com taninos agressivos.

Por outro lado, tive a chance de tomar vários Riesling extremamente agradáveis. A maioria de Finger Lakes. Todos tinham o estilo mineral que esta uva consegue mostrar, tinham florais brancos delicados, perfumados, um pouco de frutas, tipo manga e maçã verde.
As marcas que eu achei mais interessantes foram:

Hermann J. Wiemer 2006
Lamoureaux Landing 2006
Shaw 2005 (gostei menos, mas era ok)

Detalhe apenas para o serviço: um lixo. O garçon que tinha acabado seu turno se sentou com a garçonete que estava comendo do meu lado no balcão e começou a tirar o sapato, as meias e limpar os dedos como se eu não estivesse sofrendo o suficiente com aqueles Cabernet Sauvignon.
482 Broome Street - SoHo

Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Safras do Periquita

Domingos Soares Franco, enólogo da Josè Maria da Fonseca e seu sobrinho António, diretor do Periquita, estão aqui em São Paulo para ver seus clientes de perto. Além de darem aulas aqui na escola, se encontram com sommeliers e visitam lojas. Degustamos Periquita 2004 e 2005 com cortes diferentes. ) 2004 tem 70% da uva Castelão (que tinha, por causa da marca do vinho, o nome Periquita), 20%de Aragonês e o resto em Trincadeira. Nariz frutado, com notinhas de framboesa, bem leve. Na boca é magro, levinho, tem taninos bem finos, boa sensação alcoólica, mas um pouco curto no final.

Já o 2005, com 85% de Castelão e 7,5% das outras duas tem um estrutura totalmente diferente. Muito mais o estilo Periquita pré 1999 (quando era 100% Castelão e eu gostava bem mais). No nariz é muito mais intenso, explosivo, demora mais para se abrir. Abre com bastantes fruta, uns aromas de ferrugem e maçã vermelha. Na boca é bem firme, tem uma acidez gostosa, delicada, ainda jovem, mas com excelente estrutura e eu me atreveria a dizer, com um potencial de envelhecimento. (Depois de provar um Periquita da década de 80 totalmente maravilhoso, comecei a pensar no potencial destes vinhos)

Degustamos o Reserva também. Um corte delicioso de 50% Castelão, 30 Touriga Nacional e 20 de Touriga Franca, a queridinha do Domingos. Começa fechado e abre para uns minerais, cinzas, depois uns florais e baunilha. Sinto de novo a maçã vermelha do Periquita 2005. Na boca tem muita estrutura, é bem firme, mas com volume médio, e muito jovem também. O final tem taninos ainda secantes e duros. Pra quem gosta de estrutura.

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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Agenda da Escola do Vinho

Conforme alguns leitores me pediram, vou deixar aqui postada a agenda da escola do vinho. Para visualizar, é só clicar na imagem.
Bom final de semana a todos e estão todos convidados a virem nos visitar!

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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

É do Peru!



Aqui na minha escola do vinho tenho sorte de encontrar muita gente interessante. Esta semana, estamos recebendo o curso da Federação Italiana de Sommeliers, que tem como professor Roberto Rabacchino que, entre várias outras qualificações, foi duas vezes eleito melhor sommelier do mundo. Mas, além dele, estão os alunos, sempre figuras interessantíssimas que me dão prazer de sua visita. Neste edição, tive o prazer de conhecer Gladys Torres, sommelière peruana que vive na Itália, jornalista da imprensa agroalimentar da Itália e da revista Il Sommelier (www.ilsommelier.com) e esposa de Rabacchino.
E a sorte da sua presença foi que ela trouxe embaixo do braço um vinho do Peru. Degustei sem saber o que era e o nariz é bem interessante, com fruta, canela e alguns aromas de carne. Na boca, confesso, me pareceu um pouco rústico, talvez com taninos duros e sobrava uma certa madeira, uma doçura de canela - faltou frescor. Mas é bem interessante mesmo assim, saber que o Peru vem fazendo vinhos n região Sul do Peru, quase fronteira com o Chile. O clima não é parecido, no entanto. É mais quente e no inverno não faz frio. As uvas são Tannat e Petit Verdot. Bem interessante. O preço, apesar de não estar disponível no Brasil, é o equivalente a R$ 25,00.

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

NY, NY o coreano

Nova Iorque é definitivamente o centro atual do mundo. E é lá mesmo onde o mundo todo se encontra. Chineses estão a uma avenida de distância dos italianos e os coreanos têm uma rua inteira só pra eles. É na 34, perto da Broadway onde opções não faltam para comer o famoso churrasco e outras especialidades coreanas.
Lá estávamos, prontos para nos defumarmos na fumaça de carvão que vem à mesa para que nós mesmos façamos nossas carnes. Um tipo de caixa de ferro vem à mesa, que tem um buraco também de ferro, cheia de carvão em chamas. Cada carne é preparada em diferentes superfícies: a de vaca numa chapa que vai sobre o carvão e a de porco numa grelha, também sobre o carvão.
Vários pratinhos de acompanhamentos: acelga, patas de carangueijos, pudim de feijão, muita alface (na hora de comer, eles colocam tudo dentro da folha e fazem tipo um "charutinho"), um suflê de ovos na panelinha de ferro, tudo muito, repito, MUITO apimentado.


A única coisa que pode possilvemente suportar todo esse calor é uma bebida bem alcoólica, servida bem gelada. Ficamos "na Coréia" na bebida também e pedimos uma garrafinha de Soju, um destilado de trigo, grãos e arroz. É incrível como estas comidas apimentadas ficam bem bebidas fortes. A bebida, alcoólica no começo, fica domada e quase docinha no contato com os molhos de sabor intenso.
Grande harmonização. Grande jantar!
Não se esqueçam, porém, que há ótimos coreanos aqui em SP também, para vocês provarema a harmonização. O Lua Palace, na Aclimação (Armando Ferrentini, 182) e o Cho Sun Ok, também na Aclimação, 502 1° andar